Acupuntura na veterinária.

Pessoal!

Tenho utilizado bastante na minha rotina pós-cirúrgica as terapias alternativas, e tenho tido um ótimo resultado e uma recuperação dos animais bem mais rápida. Por isso pedi a Dr. Tatiana , que é a colega que faz esse acompanhamento pós-cirúrgico para mim, para escrever esse post e esclarecer melhor as dúvidas de vocês.

ACUPUNTURA VETERINÁRIA

Acupuntura (acus = agulha / punctura = punção) pode ser definida como a inserção de agulhas em pontos específicos do corpo, visando um efeito curativo. Compreende-se de uma arte milenar de cura que estuda o ser vivo em sua totalidade. Seus fundamentos baseiam-se na Medicina Tradicional Chinesa, a qual compreende a doença ou enfermidade, como manifestação de um desequilíbrio.

Indicações:

  • Afecções da coluna vertebral.
  • Afecções do trato gastrointestinal.
  • Afecções motoras.
  • Afecções músculo esqueléticas    degenerativas ou senis.
  • Analgesia da dor aguda e crônica.
  • Paresias e paralisias.
  • Patalogias dérmicas.
  • Outras…

Contra – indicações:

  • Quando usada corretamente, não apresenta contra – indicação. No entanto seu uso se faz limitado em casos de alterações severas e irreversíveis (necroses, fibroses, septicemia, tumores).

Desta forma, recomenda-se a acupuntura como mais um recurso terapêutico na promoção de uma boa qualidade de vida, daqueles que julgamos essenciais em nossa vida.

Atenciosamente,

Dr. Tatiana Bergamini CRMV-7949

Contato: (21) 9375-0099

Redução de fratura de epicôndilo lateral.

Esse animal deu entrada na clínica com queixa de claudicação, proprietário relatava que animal havia pulado do terraço e desde então claudicava, quadro havia acontecido 3 dias atrás.

Rx Pré – operatório.

Passagem de dois fios de Kirshiner cruzados para estabilização da fratura.

Corte dos pinos e finalização da cirurgia.

O animal após 45 dias já caminhava apoiando o membro no chão.

Pedi ao proprietário para fazer um novo rx mas ainda não obtive resultado.

 

Diagnóstico de ruptura de ligamento cruzado cranial

Os ligamentos cruzados são estruturas que desempenham importante papel na estabilidade da articulação do joelho. A ruptura destes está geralmente associada a um estresse excessivo sobre a articulação, ocorrendo na maioria das vezes em cães jovens de raças de grande porte.

A ruptura do ligamento cruzado cranial é uma das afecções relativamente comum no cão, tendo sido descrita pela primeira vez em 1926 (TONLINSON & CONSTANTINESCU, 1994), e é uma das principais causas de doença degenerativa da articulação do joelho.

O ligamento cruzado cranial é o mais acometido, pois está primariamente relacionado ao movimento articular, impedindo o deslocamento cranial da tíbia em relação ao fêmur, limitando a rotação interna e consequentemente a hiperextensão do joelho. A ruptura do ligamento cruzado caudal, embora rara, está associada à ruptura do ligamento cranial.

A lesão ligamentosa pode ser uma ruptura completa, com visível instabilidade, ou parcial, com instabilidade secundária; porém ambas exibem alterações articulares degenerativas dentro de poucas semanas. O mecanismo mais comum de ruptura do ligamento cruzado cranial consiste em uma rotação súbita do joelho com a articulação em 20° a 50° de flexão, pois nessa posição os ligamentos torcem sobre si mesmos ou um sobre o outro para limitar a rotação interna da tíbia em relação ao fêmur. O diagnóstico baseia-se na história clínica que revela um quadro de claudicação aguda em membros posteriores, particularmente durante o exercício. Claudicação crônica e persistente pode também ocorrer, especialmente em cães mais velhos e mais pesados.

Para confirmar o diagnóstico deve-se verificar o movimento cranial anormal da tíbia, testando a instabilidade da articulação com a tíbia em máxima extensão, em flexão de 15° a 30°(Lachman Test), e em 45° a 90° de flexão, caracterizando o chamado “sinal de gaveta cranial”. Porém, como o sinal de gaveta nem sempre é evidente em casos de ruptura parcial, nestes, o diagnóstico deve ser baseado na história e instabilidade com efusão articular (STROM, 1990). O exame radiográfico revela o grau de comprometimento articular. Cães com ruptura crônica do ligamento cruzado cranial desenvolvem um espessamento medial da cápsula articular (TONLINSON & CONSTANTINESCU, 1994).

Numerosas técnicas para reparação do ligamento rompido têm sido descritas na literatura, seguindo a técnica original desenvolvida por PAATSAMA (1952), que utilizou um retalho de fascia lata para reconstituir o ligamento. O tratamento cirúrgico foi estudado por KNECHT (1976) e desde então novos conceitos e técnicas têm sido introduzidos.

Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010384781998000400012&script=sci_arttext&tlng=es

Notar o deslocamento cranial da tíbia em relação ao fêmur, sugestivo de ruptura de ligamento cruzado cranial.

Assista ao vídeo demostrando o movimento de gaveta. Este exame é do mesmo animal da foto anterior confirmando a ruptura.

Aplicação de fixador mini tubular em fratura umeral de felino.

Tenho utilizado bastante esse tipo de fixador na minha rotina de ortopedia com grande índice de sucesso. Utilizo, também, nas fraturas distais de rádio e ulna em cães até 5 Kg de peso. Pode-se utilizar pinos de 1 mm até 2 mm.

Acesso ao foco de fratura.

Aplicação de Hemicerclagem, por ser um fratura em bisel facilitou e redução para aplicação dos pinos.

Colocação do primeiro pino.

Redução da fratura restando apenas a passagem do último pino

Colocação do último pino com boa coaptação da fratura.

Cirurgia finalizada. O aparelho é bem leve e o animal não se incomoda tanto.

Como disse anteriormente, também indico o uso desse fixador  em animais até 5 Kg de peso com bom resultado. Notar animal apoiando o membro normalmente após 60 dias de operado.

Rx pré-operatório.

Rx de controle pós-operatório (60 dias após).

Notar perfeito alinhamento do membro após a retirada do fixador.

Artroplastia excisional de cabeça e colo femoral em felino.

Este felino chegou à clínica com histórico de trauma automobilístico apresentando luxação traumática total de coxofemoral esquerda e fratura de púbis. Foi realizada a excisão de cabeça e colo femoral.

Preparação do animal.

Membro preparado.

Incisão de pele em forma de meia lua para facilitar o acesso.

Exposição da cabeça femoral.

Posicionamento do osteótomo para retirada da cabeça femoral.

Cabeça femoral retirada.

Fechamento de musculatura.

Sutura de pele.

Fratura em Galho-verde.

Devido a grande demanda de atendimentos em filhotes resolvi fazer esse post para alertar aos colegas.

Esse animalzinho chegou para mim com histórico de trauma automobilísto, o proprietário passou em cima das patinhas com a roda do carro.

Devemos sempre alertar aos proprietários o cuidado que devem ter com filhotes, pois estes são muito rápidos e somem repentinamente. Sempre ao sair de casa verificar se o animal não está em nenhum local de risco, que ofereça perigo a ele e a outras pessoas ou animais.

Não, ele não está descansando com seu pijaminha verde. Rs

Felizmente esse animal só teve duas fraturas em galho-verde, uma em rádio e a outra em tíbia.

Conseguimos boa estabilidade apenas com uma imobilização e 45 dias após ele já estava correndo pelos corredores da clínica.

Artigo luxação patelar.

Luxação Patelar.

A instabilidade femoropatelar é uma das causas mais comuns de claudicação em cães. A instabilidade varia desde leve, sem a presença de sinais clínicos associados, até uma instabilidade severa com luxação completa e irredutível da patela e sinais clínicos graves.

            Na grande maioria dos casos a luxação é medial, em cães de pequeno porte podendo ser congênita ou adquirida. A luxação lateral é rara e normalmente congênita em cães de pequeno porte. A instabilidade também pode acometer felinos mas com freqüência bem menor do que em cães. Os sintomas variam desde uma claudicação leve até severa, podendo o animal não mais apoiar o membro afetado e ocorrer desvios no eixo do membro.

            A luxação patelar medial segue um sistema de classificação que varia de acordo com o grau da lesão:

Grau 1 A patela pode ser luxada medialmente por manipulação, quando a articulação do joelho é mantida em completa extensão. Não ocorre creptação e nem deformidade óssea. Não ocorrem sinais clínicos ou são muito infrequentes.
Grau 2 Ocorre luxação espontânea, onde ela retorna naturalmente ao sulco, acompanhada de sinais clínicos do tipo claudicação indolor. Formam-se leves deformidades, consistindo de rotação interna da tíbia e adução do tarso.
Grau 3 A patela encontra-se permanentemente luxada, mas pode ser reduzida manualmente. Estão presentes deformidades ósseas mais graves e significativas. Pode ocorrer rotação interna da tíbia e curva em forma de S da porção distal do fêmur e proximal da tíbia. O proprietário frequentemente se queixa do cão andar “agachado”, pois o cão usa o membro em uma posição semi-flexionada, com rotação interna. Normalmente o distúrbio é bilateral.
Grau 4 A patela fica permanentemente luxada e de forma irredutível. A tíbia já sofreu rotação de 60º a 90º com relação ao seu eixo sagital. Se não for corrigido no início da vida do paciente, formam-se deformidades ósseas e ligamentares graves, que não poderão ser reparadas.

Fonte: De Singleton WB: The Surgical correction of stifle deformities in the dog. J Small Anim Pract.

            O diagnóstico da luxação é clínico através do exame físico, mas pode ser auxiliado pelo diagnóstico radiográfico com exames nas projeções antero-posterior ( AP ) e Skyline, que podem nos dar a noção do grau de desgaste articular causado pela patologia.

            O tratamento da luxação patelar é cirúrgico e pode variar desde uma simples trocleoplastia até procedimentos mais elaborados como a transposição da crista tibial.

            Estarei postando uma cirurgia de correção de luxação Grau 2 para melhor visualização da técnica.

Displasia Coxofemoral.

Displasia coxofemoral, Labrador, 9 meses de idade.

A displasia é uma patologia que pode acometer animais de todas as idades e raças, mas em especial as raças grandes e de crescimento rápido como os labradores, pastores em geral, boxers e outras.

A patologia pode ter duas causas distintas: a congênita, que é quando o animal já nasce com o problema e desenvolve sintomas precocemente, por volta dos 6 meses a 1 ano de idade, sem histórico de trauma ou qualquer outro agravante. A outra forma é a adquirida que é quando o animal desenvolve o problema mediante a algumas situações, que podem ser: traumas que levam a sub luxação ou luxação total da articulação, ambientais quando animais muito pesados convivem diariamente com um piso muito liso, onde força constantemente essas articulações, assim como a obesidade e o desgaste natural da articulação desenvolvendo quadros de artroses severas.

O tratamento para displasia depende do grau e da sintomatologia do animal. Podemos ter animais com quadro de displasia severa sem apresentar nenhuma sintomatologia e o contrário também acontece, animais com displasia bem discreta que apresentam sintomatologia muito severa. Os tratamentos podem variar de conservadores a cirúrgicos dependendo do grau da doença. O conservador consiste no uso de AINES, uso bastante o Meloxican e tenho um ótimo resultado associado aos condroprotetores. Depois, na manutenção do tratamento, tenho indicado o uso de terapias alternativas como a acupuntura que tem tido ótimos resultados no controle da dor. Para o tratamento cirúrgico a técnica mais utilizada ainda hoje é a artroplastia excisional de cabeça e colo femoral, a famosa colocefalectomia, mas já existem técnicas mais modernas como a colocação de prótese total de cabeça e colo femoral e acetábulo e a cirurgia de sinfisiodese púbica juvenil, que só pode ser utilizada em cães ainda jovens até 6 meses de idade.

Espero que possamos debater sobre o assunto para maiores e melhores soluções na nossa rotina. A troca de experiências e ideias irá nos favorecer com certeza.

Fratura por projétil de arma de fogo.

Rx pré-operatório

Local de entrada e saída do projetil. Entrada próximo a articulação escápulo-umeral e saída na região do cotovelo.

Abertura do foco de fratura e posicionamento dos fragmentos ósseos.

Redução da fratura com uso de fixador externo. Notar na área de entrada do projetil a área do termonecrose causada na musculatura.

Posicionamento das esquírulas ósseas e fixação com fio de cerclagem.

Finalização da cirurgia.

Rx Pós operatório imediato. Notar que também foi usado um parafuso de compressão para aproximar a esquírula maior.