Lesão por abrasão cutânea.

Este animal deu entrada no IEMEV com histórico de atropelamento, onde o animal foi arrastado por alguns metros e resultou nisso.

Foi feita limpeza da área e sutura com a colocação de um dreno.

Sutura finalizada, animal foi liberado no dia seguinte após realização de exames. Sutura realizada pelo Dr. Adriano Baldaia.

Tratamento de estenose traqueal em cães com uso de próteses de polipropileno.

O colapso traqueal é uma doença degenerativa e incapacitante, tendo uma grande importância na clínica de cães. O colapso traqueal faz com que a passagem de ar para os pulmões fique diminuída, debilitando e muitas vezes levando o animal a óbito. Os sinais clínicos podem ocorrer de forma aguda, e então, progridem lentamente por meses a anos. Há piora da tosse durante uma fase de excitação ou exercício, ou quando a coleira exerce pressão sobre o pescoço do animal. Em casos mais avançados ou após exercícios, podem-se observar dispnéia inspiratória nos cães com colapso extratorácico e dispnéia expiratória nos animais com colapso intratorácico. É freqüentemente diagnosticada baseando-se nos sinais clínicos e nos achados das radiografias torácica e cervical. A fluoroscopia ou broncoscopia são mais sensíveis do que as radiografias de rotina. Uma opção de tratamento para o colabamento traqueal é sintomático, e pode aliviar os sintomas em alguns cães. Outra opção é o tratamento cirúrgico, que é indicado para cães com 50% ou mais de redução no diâmetro luminal da traquéia. O objetivo do procedimento cirúrgico é proporcionar sustentação rígida para o segmento traqueal colabado e manter a função do sistema mucociliar.

Artigo: Correção de colapso traqueal

Enucleação.

Esse animal é de um amigo, também veterinário, o Dr. Felipe Batalha da clínica Dr. Silvestre. O animal tinha glaucoma e já havia sido feita enucleação do olho direito, tendo em vista o desconforto do animal e as sucessivas lesões resolvemos enuclear o outro olho.

Campo preparado

Feita cantotomia lateral, medial e incisão perilímbica para divulsão do globo ocular.

Divulsão completa do globo.

Retirada do globo e anexos.

Finalização.

Fratura patológica bilateral de mandíbula.

Esse animal chegou à clínica com o seguinte histórico: Proprietário deixou animal na Pet Shop para tomar banho e o animal retornou para casa sem conseguir fechar a boca. Foi solicitado Rx de mandíbula e foi detectada fratura bilateral de mandíbula, possívelmente patológica, segundo radiologista. Foi realizada cirurgia para redução das fraturas com fixador externo, tendo boa coaptação ao final da cirurgia.

Notar as áreas de reabsorção óssea ao redor das raízes.

Intensa presença de tártaro, foi realizado o tratamento periodontal e a extração dos dentes localizados no foco de fratura.

Estabilização das fraturas com fixador externo.

Estabilização da sínfise mentoniana com fio de cerclagem.

Oclusão satisfatória e finalização da cirurgia.

Cardiomiotomia para correção de megaesôfago em cães.

A dilatação generalizada ou segmentar  do esôfago decorre de distúrbios neuromusculares que prejudicam a motilidade esofágica (JONES et al., 2000). Megaesôfago é termo que se refere à dilatação esofágica generalizada, resultante de esôfago aperistáltico, secundário a distúrbio neuromuscular. Esta patologia tem como predileção racial, o Fox Terriers Pêlo de Arame e Schnauzers miniaturas, além de ser uma afecção hereditária também nas raças de Pastor Alemão, Newfoundland Dinamarquês Great Dane, Setter Irlandês, Shar Pei, Pug, Greyhound (TILLEY et al., 2003).

Classicamente, observa-se, inicialmente, um quadro agudo de regurgitação, quando se fornece alimento  sólido ou semi-sólido ao animal. É de extrema importância saber que a regurgitação se diferencia do  vômito, pois o animal não apresenta anorexia, porém desenvolve emagrecimento. O vômito é caracterizado pela volta do alimento já digerido no  estômago, enquanto,  na regurgitação, o alimento não chega a atingir  o estômago. No início da doença, regurgitação de alimentos ingeridos ocorre logo após sua ingestão, podendo ocorrer após minutos ou horas (FOSSUM et al., 1997).

Fonte: http://www.revista.inf.br/veterinaria08/revisao/09.pdf

Aos interessados um estudo comparativo entre 3 técnicas de cirurgia para correção de megaesôfago: Cardiomiotomia

Retirada de Glândula Salivar.

Esse animal chegou com histórico de sialolitíase, foi realizada a cirurgia para retirada dos cálculos e após 45 dias animal teve recidiva mas não apresentava cálculos apenas sialocele. Então optamos por fazer a retirada da glândula salivar.

Sialocele submandibular.

Campo preparado.

Localização e retirada da glândula.

Fechamento de musculatura.

Finalização.

A cirurgia foi realizada há 3 meses atrás e animal não apresentou recidiva, o material foi enviado para histopatologia e confirmou que era a glândula salivar.

Efeitos da ovário-histerectomia como terapia adjuvante para os tumores mamários caninos.

O papel dos hormônios esteróides femininos, especialmente o estrógeno, no desenvolvimento dos tumores mamários em cadelas está bem estabelecido e aceito pela grande maioria dos pesquisadores. Entretanto, o real valor da terapia hormonal com OH no tratamento desse tumor em cadelas permanece controverso. As opiniões dos profissionais veterinários permanecem divididas quanto à realização da OH após o diagnóstico do tumor possuir alguma influência sobre o crescimento e progressão do mesmo ou sobre o desenvolvimento de tumores em outras glândulas.

A importância da OH como terapia adjuante para o tumor de mama ainda não está esclarecida. Inicialmente se pensava que a castração das cadelas com tumores promoveria regressão dos mesmos, pela remoção da influência estrogênica (FANTON & WITHROW, 1981). Em estudo realizado por OSIPOV et al. (1972), as cadelas portadoras de neoplasias mamarias, submetidas à ovariectomia e mastectomia apresentaram maior taxa de sobrevida quando comparadas àquelas, com tumores semelhantes, que foram tratadas somente com a mastectomia. Porém, estudos mais recentes (ALLEN & MAHAFFEY, 1989; MORRIS et al., 1998) têm demonstrados que a OH realizada no momento da remoção do tumor não tem efeito protetor sobre o aparecimento de novos  nódulos ou sobre a taxa de sobrevida.

A ovariectomia realizada no momento da exérese cirúrgica do tumor de mama em cadelas não protege o tecido mamário contra o risco de subsequente aparecimento do tumor ou mesmo contra formação de metástases (THEILEN & MADEWELL, 1979; MORRIS et al., 1998). Conceitos atuais sobre os mecanismos de formação tumoral sugerem que a transformação neoplásica seja fenômeno compreendido por vários estágios, com diferentes fatores exercendo influências nestes estágios, sendo que deve ser considerado um longo período entre a exposição a esses fatores e o desenvolvimento de uma massa clinicamente detectável. O tumor de mama é resultante de processo carcinogênico compreendido por vários estágios sequenciais, incluindo iniciação, promoção, dependência e autonomia. Independentemente do fator iniciante da carcinogênese como radiação, substâncias químicas ou infecções virais, fatores endócrinos são os responsáveis pela promoção do tumor. A fase seguinte desse processo é a dependência hormonal, na qual as células tumorais alvo diferem das normais por necessitarem do estímulo hormonal para sua sobrevivência e não somente para manutenção da atividade secretória. Se o  porte hormonal for removido, todas as células desaparecerão nessa fase. Finalmente, todos os tumores hormonalmente dependentes tendem a se tornar autônomos, quando a capacidade de síntese de hormônios específicos desaparece e, morfológicamente, as células se tornam indiferenciadas. A progressão das neoplasias da fase de dependência hormonal para a independência, associada à transformação de crescimento lento para rápido e invasivo, é a regra geral do tumor de mama (BRENNAN, 1975).

De acordo com a teoria de BRENNAN (1975), a supressão hormonal teria valor terapêutico na remissão de tumores mamários que ainda estariam na fase de dependência hormonal. Porém, o que se observa na prática clínica e cirúrgica é que somente a OH não promove a remissão do tumor, além da mesma não atuar como fator protetor de recidivas quando realizada no momento da exérese cirúrgica da neoplasia (MORRIS et al., 1998). ALLEN & MAHAFFEY (1989) também relataram a ausência de efeitos da OSH sobre o aparecimento de metástases, novos tumores e, ainda, sobre o prolongamento de vida dos animais portadores de neoplasias mamárias, quando realizada no momento da mastectomia. Contrariando os supracitados autores, MISDORP (1988) relatou possível efeito protetor da OH contra recidivas, em algumas cadelas portadoras de neoplasias mamárias, porém não conseguiu suporte estatístico. YAMAGAMI et al. (1996) pesquisaram o papel da OH, quando realizada no momento da mastectomia, em cadelas portadoras de neoplasias mamárias, e os resultados obtidos demonstraram que essa prática não tem efeito sobre o prognóstico e sobrevida dos animais com tumores. Ao relacionar que os tumores benignos possuem ER e PR, e que nos tumores malignos a expressão de ER está diminuída, poder-se-ia inferir que os tumores malignos não estariam sob grande influência hormonal. Porém, o que se observa é que independentemente do grau de diferenciação celular do tumor, a OH realizada no momento da cirurgia não tem efeito benéfico em carcinomas invasivos ou bem definidos. Ainda em acordo com essa teoria, MORRIS et al.  (1998) observaram que em cadelas com tumores mamários malignos, a remoção da principal fonte de estrógeno endógeno pela OH não possui efeito sobre a progressão do tumor já estabelecido.

CONCLUSÕES

Os dados coletados nesta revisão da literatura permitem concluir que o desenvolvimento do tumor mamário em cadelas é evento já programado nos primeiros anos de vida, sendo que não é influenciado pela supressão do estímulo hormonal na maturidade; a OH precoce parece ser o único método da prevenção das variações hormonais, que ocorrem durante as fases do ciclo estral, que, sem dúvida, influenciam no desenvolvimento desses tumores; a OH realizada no momento da exérese cirúrgica do tumor de mama, em cadelas, não tem efeito protetor sobre o aparecimento de novos tumores, metástases ou mesmo, sobre o prolongamento de vida do paciente; terapia endócrina adjuvante apropriada após a detecção dos receptores hormonais parece ser uma área promissora no tratamento de cães com tumores mamários que não respondem somente à técnica de mastectomia.

Fonte: http://www.scielo.br/pdf/cr/v30n4/a30v30n4.pdf