Laparotomia para retirada de tumor abdominal.

Esse animal deu entrada na clínica com histórico de diarréia, foi solicitada uma US abdominal onde foi detectada uma massa de 12 cm x 8 cm, próximo ao rim direito. Foi solicitada uma tomografia para avaliar possível vascularização conjugada ao rim e/ou comprometimento do mesmo, todos os exames hematológicos e bioquímicos apresentavam-se normais. A tomografia revelou não haver ligação vascular ou comprometimento renal, sendo assim animal foi encaminhado para cirurgia.

Imagem da tomografia, notar grande diferença de tamanho entre o tumor e o rim.

Incisão inicial.

Logo após incisão, foi localizado e exteriorizado o tumor.

Retirada do tumor, apesar do tamanho era um tumor pouco vascularizado.

Aproximadamente 14 cm x 8 cm

Tumoração cística, o material foi encaminhado para histopatologia e aguardo resultado, assim que chegar posto aqui para todos.

Efeitos da ovário-histerectomia como terapia adjuvante para os tumores mamários caninos.

O papel dos hormônios esteróides femininos, especialmente o estrógeno, no desenvolvimento dos tumores mamários em cadelas está bem estabelecido e aceito pela grande maioria dos pesquisadores. Entretanto, o real valor da terapia hormonal com OH no tratamento desse tumor em cadelas permanece controverso. As opiniões dos profissionais veterinários permanecem divididas quanto à realização da OH após o diagnóstico do tumor possuir alguma influência sobre o crescimento e progressão do mesmo ou sobre o desenvolvimento de tumores em outras glândulas.

A importância da OH como terapia adjuante para o tumor de mama ainda não está esclarecida. Inicialmente se pensava que a castração das cadelas com tumores promoveria regressão dos mesmos, pela remoção da influência estrogênica (FANTON & WITHROW, 1981). Em estudo realizado por OSIPOV et al. (1972), as cadelas portadoras de neoplasias mamarias, submetidas à ovariectomia e mastectomia apresentaram maior taxa de sobrevida quando comparadas àquelas, com tumores semelhantes, que foram tratadas somente com a mastectomia. Porém, estudos mais recentes (ALLEN & MAHAFFEY, 1989; MORRIS et al., 1998) têm demonstrados que a OH realizada no momento da remoção do tumor não tem efeito protetor sobre o aparecimento de novos  nódulos ou sobre a taxa de sobrevida.

A ovariectomia realizada no momento da exérese cirúrgica do tumor de mama em cadelas não protege o tecido mamário contra o risco de subsequente aparecimento do tumor ou mesmo contra formação de metástases (THEILEN & MADEWELL, 1979; MORRIS et al., 1998). Conceitos atuais sobre os mecanismos de formação tumoral sugerem que a transformação neoplásica seja fenômeno compreendido por vários estágios, com diferentes fatores exercendo influências nestes estágios, sendo que deve ser considerado um longo período entre a exposição a esses fatores e o desenvolvimento de uma massa clinicamente detectável. O tumor de mama é resultante de processo carcinogênico compreendido por vários estágios sequenciais, incluindo iniciação, promoção, dependência e autonomia. Independentemente do fator iniciante da carcinogênese como radiação, substâncias químicas ou infecções virais, fatores endócrinos são os responsáveis pela promoção do tumor. A fase seguinte desse processo é a dependência hormonal, na qual as células tumorais alvo diferem das normais por necessitarem do estímulo hormonal para sua sobrevivência e não somente para manutenção da atividade secretória. Se o  porte hormonal for removido, todas as células desaparecerão nessa fase. Finalmente, todos os tumores hormonalmente dependentes tendem a se tornar autônomos, quando a capacidade de síntese de hormônios específicos desaparece e, morfológicamente, as células se tornam indiferenciadas. A progressão das neoplasias da fase de dependência hormonal para a independência, associada à transformação de crescimento lento para rápido e invasivo, é a regra geral do tumor de mama (BRENNAN, 1975).

De acordo com a teoria de BRENNAN (1975), a supressão hormonal teria valor terapêutico na remissão de tumores mamários que ainda estariam na fase de dependência hormonal. Porém, o que se observa na prática clínica e cirúrgica é que somente a OH não promove a remissão do tumor, além da mesma não atuar como fator protetor de recidivas quando realizada no momento da exérese cirúrgica da neoplasia (MORRIS et al., 1998). ALLEN & MAHAFFEY (1989) também relataram a ausência de efeitos da OSH sobre o aparecimento de metástases, novos tumores e, ainda, sobre o prolongamento de vida dos animais portadores de neoplasias mamárias, quando realizada no momento da mastectomia. Contrariando os supracitados autores, MISDORP (1988) relatou possível efeito protetor da OH contra recidivas, em algumas cadelas portadoras de neoplasias mamárias, porém não conseguiu suporte estatístico. YAMAGAMI et al. (1996) pesquisaram o papel da OH, quando realizada no momento da mastectomia, em cadelas portadoras de neoplasias mamárias, e os resultados obtidos demonstraram que essa prática não tem efeito sobre o prognóstico e sobrevida dos animais com tumores. Ao relacionar que os tumores benignos possuem ER e PR, e que nos tumores malignos a expressão de ER está diminuída, poder-se-ia inferir que os tumores malignos não estariam sob grande influência hormonal. Porém, o que se observa é que independentemente do grau de diferenciação celular do tumor, a OH realizada no momento da cirurgia não tem efeito benéfico em carcinomas invasivos ou bem definidos. Ainda em acordo com essa teoria, MORRIS et al.  (1998) observaram que em cadelas com tumores mamários malignos, a remoção da principal fonte de estrógeno endógeno pela OH não possui efeito sobre a progressão do tumor já estabelecido.

CONCLUSÕES

Os dados coletados nesta revisão da literatura permitem concluir que o desenvolvimento do tumor mamário em cadelas é evento já programado nos primeiros anos de vida, sendo que não é influenciado pela supressão do estímulo hormonal na maturidade; a OH precoce parece ser o único método da prevenção das variações hormonais, que ocorrem durante as fases do ciclo estral, que, sem dúvida, influenciam no desenvolvimento desses tumores; a OH realizada no momento da exérese cirúrgica do tumor de mama, em cadelas, não tem efeito protetor sobre o aparecimento de novos tumores, metástases ou mesmo, sobre o prolongamento de vida do paciente; terapia endócrina adjuvante apropriada após a detecção dos receptores hormonais parece ser uma área promissora no tratamento de cães com tumores mamários que não respondem somente à técnica de mastectomia.

Fonte: http://www.scielo.br/pdf/cr/v30n4/a30v30n4.pdf